A partir de ou apartir? Grafia correta e sentido da expressão

7 de novembro de 2026
4 min de leitura
Por Fábio Figueiroa
A partir de ou apartir? Grafia correta e sentido da expressão

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A forma correta é a partir de, sempre separada. A palavra “apartir”, escrita junta, não existe na língua portuguesa e é erro de grafia. Quem tem dúvida costuma se perguntar se a locução leva hífen ou se pode ser unida, mas a resposta é simples: ela é uma locução prepositiva formada por três palavras separadas.

O que significa “a partir de”

A locução indica o ponto de partida de algo. Ela marca o início de uma ação, de um período ou de um percurso. Na prática, aparece em duas situações principais.

Início no tempo

Quando a expressão marca um momento inicial, ela introduz uma data, uma hora ou um marco temporal que começa a valer a partir dali. Exemplos:

  • “A nova regra vale a partir de hoje.”
  • “O atendimento começa a partir das 8h.”
  • “O contrato passa a valer a partir de janeiro.”

Início no espaço

Quando o sentido é de lugar, a expressão indica o ponto de onde se começa a medir ou a seguir um trajeto. Exemplos:

  • “A numeração das casas segue a partir do centro.”
  • “A contagem dos quilômetros começa a partir da esquina.”
  • “As mesas numeradas ficam a partir da porta.”

Por que a grafia “apartir” é um erro

Algumas pessoas juntam as palavras por analogia com outras formações, como “aonde” ou “apenas”. Porém, “apartir” não faz parte do vocabulário padrão. A regra prática é esta: sempre escreva três palavras separadas, mesmo quando a expressão vier seguida de artigo, como em “a partir do”, “a partir da” ou “a partir dos”.

Mitos e verdades

  • Mito: “apartir” é uma forma reduzida e aceita na escrita informal.
    Verdade: mesmo em textos informais, a forma correta continua sendo “a partir de”. A grafia junta é erro, não variante.
  • Mito: como “de” vem depois, a expressão deve ser escrita com hífen.
    Verdade: não há hífen. A locução é escrita separada.
  • Mito: “a partir de” só serve para datas.
    Verdade: a expressão também indica lugar e ponto de partida de um trajeto.

O uso excessivo de “a partir de” como “com base em”

Há um segundo ponto de atenção. Em textos técnicos, jornalísticos e administrativos, é comum usar “a partir de” no sentido de “com base em” ou “tomando como referência”. Exemplo: “A partir dos dados, concluímos que as vendas caíram.” A construção existe e pode ser aceita, mas o problema está na repetição. Quando a expressão aparece em quase todos os parágrafos, o texto fica pesado e repetitivo.

Para variar, prefira alternativas conforme o contexto:

  • com base em: “Com base nos dados, concluímos que as vendas caíram.”;
  • de acordo com: “De acordo com a pesquisa, a procura aumentou.”;
  • segundo: “Segundo o relatório, o prazo foi cumprido.”;
  • conforme: “Conforme a norma interna, o processo segue por etapas.”.

Atenção: “com base em” se contrai com o artigo que vem depois, então o correto é “com base nos dados”, e não “com base em os dados”.

Boas práticas para não errar

  1. Escreva sempre “a partir de”, com as três palavras separadas.
  2. Use a contração normal com artigo: “a partir do”, “a partir da”, “a partir dos”, “a partir das”.
  3. Confirme se a expressão marca início (tempo ou espaço). Se marcar, a locução está adequada.
  4. Se a ideia for “com base em”, considere trocar por outra expressão para evitar repetição.

Erros parecidos que vale revisar

Dúvidas de grafia costumam aparecer em grupos de palavras parecidas. Se você quer reforçar outras formas que causam confusão, vale ler sobre a grafia de exceção e excessão, sobre o uso de menos e menas e sobre a contração de preposição com demonstrativos, que ajuda a entender por que “da” e “aquela” se juntam.

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Fábio Figueiroa
Fábio Figueiroa
Jornalista e desenvolvedor do CorretorIA. Gosto de código, de português, de boas histórias e de um café quentinho.

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