Daquela ou da aquela? Como usar a contração com demonstrativos

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Corrigir meu texto agoraQuem escreve em português já se viu diante da dúvida: o certo é daquela ou da aquela? A forma correta é daquela, resultado da junção da preposição de com o demonstrativo aquela. Neste texto, você vai entender como funciona essa contração, quais outras formas seguem o mesmo padrão e qual é a exceção da norma-padrão quando o demonstrativo é sujeito de um verbo no infinitivo.
Por que a forma correta é daquela
Quando a preposição de vem antes de um demonstrativo, as duas palavras se fundem em uma só. Na escrita formal, não se usa a forma separada da aquela, que é um erro.
Veja alguns exemplos com a forma correta:
- Falamos daquela professora durante toda a aula.
- Não consigo me esquecer daquela viagem a Salvador.
- Ele reclamou daquela decisão na assembleia.
Outros demonstrativos que se contraem com de
O mesmo raciocínio vale para os demais demonstrativos. Cada um se combina com a preposição de acordo com o gênero e o número da palavra original:
- de + esta = desta: Ele saiu desta sala cedo.
- de + essa = dessa: Gosto muito dessa ideia.
- de + este = deste: Quero notícias deste projeto.
- de + esse = desse: Estamos cansados desse barulho.
- de + aquele = daquele: Lembro-me daquele dia com carinho.
- de + isto = disto, de + isso = disso, de + aquilo = daquilo: Ninguém falou disso na reunião.
Com a preposição em, o padrão é o mesmo: nesta, nessa, naquela, entre outras.
Mitos e verdades sobre a contração
Mito: a contração é opcional
Verdade: com demonstrativos, a norma-padrão espera a contração. A forma separada, como de aquela, não é a escolha recomendada na escrita formal.
Mito: se a frase tem aquela, a preposição sempre se contrai
Verdade: existe uma exceção importante, explicada na próxima seção. Ela depende da função sintática do demonstrativo, e não apenas da presença da palavra.
Mito: a fala coloquial define a norma
Verdade: a fala informal tem variações próprias, e isso é natural. Em textos escolares, redações e documentos, o que vale é a norma-padrão. Se quiser entender melhor essa diferença, leia sobre variação linguística e quando usar a norma-padrão.
A exceção: demonstrativo sujeito de verbo no infinitivo
A gramática tradicional orienta que a preposição não se contrai quando o demonstrativo é o sujeito de um verbo no infinitivo. Nesse caso, o demonstrativo pertence à oração do infinitivo, e não ao termo que a preposição introduz. Por isso, a preposição fica separada.
Para identificar essa situação, primeiro encontre o verbo no infinitivo e pergunte quem pratica a ação. Se a resposta for o demonstrativo com seu termo, a preposição não se funde a ele. Se você precisa revisar essa identificação, o texto sobre sujeito oculto e indeterminado ajuda a reconhecer quem pratica a ação em cada oração.
Exemplos corretos
- Chegou a hora de aquela turma apresentar o trabalho.
- Preocupou-me a possibilidade de esta proposta ser aprovada sem debate.
- Não aceito a ideia de aquilo ficar sem resposta.
Exemplos errados
- Erro: Chegou a hora daquela turma apresentar o trabalho.
- Erro: Preocupou-me a possibilidade desta proposta ser aprovada sem debate.
- Erro: Não aceito a ideia daquilo ficar sem resposta.
Nos exemplos errados, a contração foi feita, mas o demonstrativo é sujeito do infinitivo. Por isso, a forma separada é a que segue a norma tradicional.
Quando a contração continua correta
A exceção vale só quando o demonstrativo é sujeito de infinitivo. Nos casos em que ele não cumpre essa função, a contração com de é obrigatória, como no primeiro exemplo abaixo. Os outros dois mostram situações sem contração com de:
- Chegou a hora daquela turma. (não há infinitivo com esse sujeito)
- Falei com ela sobre aquela proposta. (aqui a preposição é sobre, que não se contrai com aquela)
- Espero que aquela turma apresente o trabalho. (sem preposição, sem contração)
Uma boa estratégia é reescrever a frase com verbo conjugado. Em vez de Chegou a hora de aquela turma apresentar, você pode escrever Chegou o momento em que aquela turma vai apresentar o trabalho. A construção fica clara e evita a dúvida.
Erros comuns e como evitá-los
- Escrever da aquela: forma separada, que não é a norma-padrão para esse caso.
- Errar o gênero ou o número: usar desse quando o termo é feminino, como em desse ideia, que deveria ser dessa ideia.
- Aplicar a exceção a tudo: manter a preposição separada em qualquer frase com infinitivo, mesmo quando o demonstrativo é objeto ou complemento.
- Esquecer a revisão: textos longos acumulam pequenos deslizes. Para mais exemplos de falhas que pesam na avaliação, veja os erros que zeram a redação do ENEM.
Boas práticas para escrever sem tropeçar
- Identifique a preposição antes do demonstrativo.
- Escolha a forma contraída (daquela, desta, dessa) quando o demonstrativo não for sujeito de infinitivo.
- Se o demonstrativo for sujeito de um verbo no infinitivo, mantenha a preposição separada.
- Na dúvida, reescreva a frase com verbo conjugado.
- Revise o texto final com calma, conferindo gênero, número e a exceção.
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