Daquela ou da aquela? Como usar a contração com demonstrativos

2 de novembro de 2026
5 min de leitura
Por Fábio Figueiroa
Daquela ou da aquela? Como usar a contração com demonstrativos

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Quem escreve em português já se viu diante da dúvida: o certo é daquela ou da aquela? A forma correta é daquela, resultado da junção da preposição de com o demonstrativo aquela. Neste texto, você vai entender como funciona essa contração, quais outras formas seguem o mesmo padrão e qual é a exceção da norma-padrão quando o demonstrativo é sujeito de um verbo no infinitivo.

Por que a forma correta é daquela

Quando a preposição de vem antes de um demonstrativo, as duas palavras se fundem em uma só. Na escrita formal, não se usa a forma separada da aquela, que é um erro.

Veja alguns exemplos com a forma correta:

  • Falamos daquela professora durante toda a aula.
  • Não consigo me esquecer daquela viagem a Salvador.
  • Ele reclamou daquela decisão na assembleia.

Outros demonstrativos que se contraem com de

O mesmo raciocínio vale para os demais demonstrativos. Cada um se combina com a preposição de acordo com o gênero e o número da palavra original:

  • de + esta = desta: Ele saiu desta sala cedo.
  • de + essa = dessa: Gosto muito dessa ideia.
  • de + este = deste: Quero notícias deste projeto.
  • de + esse = desse: Estamos cansados desse barulho.
  • de + aquele = daquele: Lembro-me daquele dia com carinho.
  • de + isto = disto, de + isso = disso, de + aquilo = daquilo: Ninguém falou disso na reunião.

Com a preposição em, o padrão é o mesmo: nesta, nessa, naquela, entre outras.

Mitos e verdades sobre a contração

Mito: a contração é opcional

Verdade: com demonstrativos, a norma-padrão espera a contração. A forma separada, como de aquela, não é a escolha recomendada na escrita formal.

Mito: se a frase tem aquela, a preposição sempre se contrai

Verdade: existe uma exceção importante, explicada na próxima seção. Ela depende da função sintática do demonstrativo, e não apenas da presença da palavra.

Mito: a fala coloquial define a norma

Verdade: a fala informal tem variações próprias, e isso é natural. Em textos escolares, redações e documentos, o que vale é a norma-padrão. Se quiser entender melhor essa diferença, leia sobre variação linguística e quando usar a norma-padrão.

A exceção: demonstrativo sujeito de verbo no infinitivo

A gramática tradicional orienta que a preposição não se contrai quando o demonstrativo é o sujeito de um verbo no infinitivo. Nesse caso, o demonstrativo pertence à oração do infinitivo, e não ao termo que a preposição introduz. Por isso, a preposição fica separada.

Para identificar essa situação, primeiro encontre o verbo no infinitivo e pergunte quem pratica a ação. Se a resposta for o demonstrativo com seu termo, a preposição não se funde a ele. Se você precisa revisar essa identificação, o texto sobre sujeito oculto e indeterminado ajuda a reconhecer quem pratica a ação em cada oração.

Exemplos corretos

  • Chegou a hora de aquela turma apresentar o trabalho.
  • Preocupou-me a possibilidade de esta proposta ser aprovada sem debate.
  • Não aceito a ideia de aquilo ficar sem resposta.

Exemplos errados

  • Erro: Chegou a hora daquela turma apresentar o trabalho.
  • Erro: Preocupou-me a possibilidade desta proposta ser aprovada sem debate.
  • Erro: Não aceito a ideia daquilo ficar sem resposta.

Nos exemplos errados, a contração foi feita, mas o demonstrativo é sujeito do infinitivo. Por isso, a forma separada é a que segue a norma tradicional.

Quando a contração continua correta

A exceção vale só quando o demonstrativo é sujeito de infinitivo. Nos casos em que ele não cumpre essa função, a contração com de é obrigatória, como no primeiro exemplo abaixo. Os outros dois mostram situações sem contração com de:

  • Chegou a hora daquela turma. (não há infinitivo com esse sujeito)
  • Falei com ela sobre aquela proposta. (aqui a preposição é sobre, que não se contrai com aquela)
  • Espero que aquela turma apresente o trabalho. (sem preposição, sem contração)

Uma boa estratégia é reescrever a frase com verbo conjugado. Em vez de Chegou a hora de aquela turma apresentar, você pode escrever Chegou o momento em que aquela turma vai apresentar o trabalho. A construção fica clara e evita a dúvida.

Erros comuns e como evitá-los

  • Escrever da aquela: forma separada, que não é a norma-padrão para esse caso.
  • Errar o gênero ou o número: usar desse quando o termo é feminino, como em desse ideia, que deveria ser dessa ideia.
  • Aplicar a exceção a tudo: manter a preposição separada em qualquer frase com infinitivo, mesmo quando o demonstrativo é objeto ou complemento.
  • Esquecer a revisão: textos longos acumulam pequenos deslizes. Para mais exemplos de falhas que pesam na avaliação, veja os erros que zeram a redação do ENEM.

Boas práticas para escrever sem tropeçar

  1. Identifique a preposição antes do demonstrativo.
  2. Escolha a forma contraída (daquela, desta, dessa) quando o demonstrativo não for sujeito de infinitivo.
  3. Se o demonstrativo for sujeito de um verbo no infinitivo, mantenha a preposição separada.
  4. Na dúvida, reescreva a frase com verbo conjugado.
  5. Revise o texto final com calma, conferindo gênero, número e a exceção.

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Fábio Figueiroa
Fábio Figueiroa
Jornalista e desenvolvedor do CorretorIA. Gosto de código, de português, de boas histórias e de um café quentinho.

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