Funções da linguagem de Jakobson: exemplos, esquema e como identificar na prova

30 de outubro de 2026
7 min de leitura
Por Fábio Figueiroa
Funções da linguagem de Jakobson: exemplos, esquema e como identificar na prova

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Quem estuda para o ENEM e para as provas de português logo percebe que muitas questões pedem a função da linguagem predominante em um texto. Para responder bem, não basta decorar nomes: é preciso entender o que cada função faz e em que pistas ela aparece. Este guia explica as seis funções propostas por Roman Jakobson, mostra exemplos de textos reais e ensina um método simples para identificar a função dominante.

O que são as funções da linguagem

O linguista russo Roman Jakobson descreveu a comunicação como um processo com seis elementos: remetente (quem fala ou escreve), destinatário (quem recebe), mensagem (o conteúdo transmitido), código (a língua ou o sistema de signos usado), canal (o meio de contato) e contexto (o assunto ou a situação a que a mensagem se refere).

Cada elemento tem uma função correspondente. Em um texto, normalmente existe uma função predominante, embora outras possam aparecer ao mesmo tempo. A pergunta que você deve fazer é: qual elemento o texto mais destaca?

As seis funções e o elemento da comunicação ligado a cada uma

1. Função referencial (contexto)

Centra-se no assunto, nos fatos e nas informações. A linguagem é objetiva, com predomínio da terceira pessoa e de verbos no presente ou no pretérito, com foco no que aconteceu ou no que é.

  • Elemento: contexto (o referente, aquilo de que se fala).
  • Exemplo real: uma notícia de jornal sobre a inauguração de uma ponte. O texto informa quem, o quê, quando, onde e por quê.
  • Pistas: dados, datas, nomes próprios, linguagem denotativa e ausência de opiniões pessoais.

2. Função emotiva ou expressiva (remetente)

Destaca quem fala. O texto revela sentimentos, opiniões e estados de espírito de quem escreve.

  • Elemento: remetente (emissor).
  • Exemplo real: uma página de diário: “Hoje acordei com saudade de casa e não consegui parar de chorar.”
  • Pistas: primeira pessoa, interjeições (“ah!”, “nossa!”), exclamações, adjetivos avaliativos e marcas de subjetividade.

3. Função conativa ou apelativa (destinatário)

Busca agir sobre o receptor, convencendo, pedindo ou ordenando. É muito comum em propagandas, anúncios e textos de campanha.

  • Elemento: destinatário (receptor).
  • Exemplo real: um anúncio que diz “Compre agora e aproveite!”. O verbo no imperativo chama o leitor para a ação.
  • Pistas: imperativo, vocativo (“Você, leitor”), segunda pessoa, perguntas retóricas e verbos que convidam à ação.

4. Função fática (canal)

Serve para iniciar, manter ou testar o contato entre os interlocutores. O conteúdo informativo quase não importa; o que vale é garantir que a comunicação continue.

  • Elemento: canal (o meio de contato).
  • Exemplo real: ao atender o telefone, alguém diz “Alô?”. Também são fáticos “Tá me ouvindo?”, “Hum, hum” e “Entendi” usados numa conversa.
  • Pistas: saudações, cumprimentos, expressões de confirmação e frases que apenas verificam se o canal está funcionando.

5. Função metalinguística (código)

Usa a língua para falar da própria língua. O texto explica, define ou comenta palavras, regras e significados.

  • Elemento: código (o sistema linguístico usado).
  • Exemplo real: um verbete de dicionário: “Metalinguagem: linguagem que se refere à própria linguagem.”
  • Pistas: definições, gramáticas, glossários, comentários sobre palavras e expressões entre aspas para indicar que estão sendo analisadas.

6. Função poética (mensagem)

Chama a atenção para a forma da mensagem: os sons, o ritmo, a construção das frases e as imagens. Não é exclusiva da poesia, embora seja muito associada a ela.

  • Elemento: mensagem (a própria forma do texto).
  • Exemplo real: um poema, como os versos de Manuel Bandeira, em que a sonoridade e o ritmo fazem parte do sentido.
  • Pistas: rimas, aliterações, metáforas, paralelismos, jogos de palavras e ritmo marcado.

Resumo rápido: texto, elemento e função

  • Notícia: referencial (contexto).
  • Diário: emotiva (remetente).
  • Propaganda: conativa (destinatário).
  • “Alô” ao telefone: fática (canal).
  • Dicionário: metalinguística (código).
  • Poema: poética (mensagem).

Como identificar a função predominante em uma questão

Em provas, a banca costuma dar um texto curto e perguntar qual é a função dominante. Siga estes passos:

  1. Leia a pergunta antes do texto. Às vezes ela já aponta o recorte, como “a função predominante no trecho”.
  2. Procure o elemento destacado. O texto fala do assunto? De quem escreve? De quem lê? Da própria língua? Da forma?
  3. Observe as marcas linguísticas. Primeira pessoa e exclamações apontam para a emotiva; imperativo e vocativo, para a conativa; definições, para a metalinguística.
  4. Verifique a intenção principal. Pergunte: o autor quer informar, expressar, convencer, manter contato, explicar a língua ou trabalhar a beleza da forma?
  5. Escolha a alternativa mais abrangente. Se duas funções aparecem, prefira a que sustenta o sentido geral do texto.

Exemplo de análise

Considere o trecho: “Você já pensou em trocar de celular? Corra até a loja e garanta o seu hoje mesmo!”

Há perguntas, imperativo (“Corra”, “garanta”) e segunda pessoa (“Você”). O objetivo é levar o leitor a comprar. A função predominante é a conativa. A informação sobre o celular aparece, mas serve à persuasão.

Mitos e verdades sobre as funções da linguagem

  • Mito: cada texto tem apenas uma função.
    Verdade: um texto pode ter várias funções, mas sempre há uma dominante.
  • Mito: a função poética só aparece em poemas.
    Verdade: slogans, títulos de notícias e letras de música também podem explorar a forma para criar sentido.
  • Mito: se o texto tem “eu”, a função é sempre emotiva.
    Verdade: o “eu” pode aparecer em um relato jornalístico ou em um texto de opinião sem que a emoção seja o foco. Analise o objetivo, não apenas a pessoa verbal.
  • Mito: a função fática é irrelevante.
    Verdade: ela é essencial para manter a conversa. Sem ela, muitos diálogos simplesmente não começam.

Erros comuns em questões de função da linguagem

  • Confundir a função emotiva com a conativa: “Eu adoro este produto, compre-o!” tem marcas das duas, mas a ordem final (“compre-o”) mostra que o foco é convencer.
  • Associar a função metalinguística a qualquer uso de aspas. Aspas podem indicar citação, ironia ou destaque sem que a língua seja o assunto.
  • Escolher a alternativa que apenas repete um termo do texto, sem verificar a intenção do autor.
  • Ignorar o gênero textual. Saber que um texto é uma notícia, um anúncio ou um poema já aponta a função mais provável, mas confirme com as marcas do texto.

Boas práticas para estudar e aplicar o conteúdo

  • Monte uma tabela com as seis funções, o elemento correspondente e três exemplos de marcas linguísticas.
  • Analise textos de jornais, redes sociais e letras de música. Pergunte sempre qual elemento é destacado.
  • Em redações, a função dominante do texto dissertativo-argumentativo costuma ser a referencial, mas trechos poéticos ou conativos podem aparecer em introduções e conclusões. Use-os com cuidado. Para orientações gerais sobre a prova, consulte a fonte oficial do exame do ano vigente.
  • Revise seus próprios textos com atenção à clareza do objetivo. Um texto escolar bem escrito deixa claro o que pretende: informar, persuadir ou expressar uma opinião.

Para aprofundar a análise de textos e a coerência entre suas partes, veja também o artigo sobre coerência textual, com exemplos práticos de textos coerentes e incoerentes. Se você ainda está construindo a base de português, o material de atividades de português com ortografia, leitura e classes de palavras ajuda a fixar os conceitos básicos. E, se o seu objetivo é a prova dissertativa, vale conhecer os erros que zeram a redação do ENEM para não perder pontos com falhas evitáveis.

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Fábio Figueiroa
Fábio Figueiroa
Jornalista e desenvolvedor do CorretorIA. Gosto de código, de português, de boas histórias e de um café quentinho.

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