Funções da linguagem de Jakobson: exemplos, esquema e como identificar na prova

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Corrigir meu texto agoraQuem estuda para o ENEM e para as provas de português logo percebe que muitas questões pedem a função da linguagem predominante em um texto. Para responder bem, não basta decorar nomes: é preciso entender o que cada função faz e em que pistas ela aparece. Este guia explica as seis funções propostas por Roman Jakobson, mostra exemplos de textos reais e ensina um método simples para identificar a função dominante.
O que são as funções da linguagem
O linguista russo Roman Jakobson descreveu a comunicação como um processo com seis elementos: remetente (quem fala ou escreve), destinatário (quem recebe), mensagem (o conteúdo transmitido), código (a língua ou o sistema de signos usado), canal (o meio de contato) e contexto (o assunto ou a situação a que a mensagem se refere).
Cada elemento tem uma função correspondente. Em um texto, normalmente existe uma função predominante, embora outras possam aparecer ao mesmo tempo. A pergunta que você deve fazer é: qual elemento o texto mais destaca?
As seis funções e o elemento da comunicação ligado a cada uma
1. Função referencial (contexto)
Centra-se no assunto, nos fatos e nas informações. A linguagem é objetiva, com predomínio da terceira pessoa e de verbos no presente ou no pretérito, com foco no que aconteceu ou no que é.
- Elemento: contexto (o referente, aquilo de que se fala).
- Exemplo real: uma notícia de jornal sobre a inauguração de uma ponte. O texto informa quem, o quê, quando, onde e por quê.
- Pistas: dados, datas, nomes próprios, linguagem denotativa e ausência de opiniões pessoais.
2. Função emotiva ou expressiva (remetente)
Destaca quem fala. O texto revela sentimentos, opiniões e estados de espírito de quem escreve.
- Elemento: remetente (emissor).
- Exemplo real: uma página de diário: “Hoje acordei com saudade de casa e não consegui parar de chorar.”
- Pistas: primeira pessoa, interjeições (“ah!”, “nossa!”), exclamações, adjetivos avaliativos e marcas de subjetividade.
3. Função conativa ou apelativa (destinatário)
Busca agir sobre o receptor, convencendo, pedindo ou ordenando. É muito comum em propagandas, anúncios e textos de campanha.
- Elemento: destinatário (receptor).
- Exemplo real: um anúncio que diz “Compre agora e aproveite!”. O verbo no imperativo chama o leitor para a ação.
- Pistas: imperativo, vocativo (“Você, leitor”), segunda pessoa, perguntas retóricas e verbos que convidam à ação.
4. Função fática (canal)
Serve para iniciar, manter ou testar o contato entre os interlocutores. O conteúdo informativo quase não importa; o que vale é garantir que a comunicação continue.
- Elemento: canal (o meio de contato).
- Exemplo real: ao atender o telefone, alguém diz “Alô?”. Também são fáticos “Tá me ouvindo?”, “Hum, hum” e “Entendi” usados numa conversa.
- Pistas: saudações, cumprimentos, expressões de confirmação e frases que apenas verificam se o canal está funcionando.
5. Função metalinguística (código)
Usa a língua para falar da própria língua. O texto explica, define ou comenta palavras, regras e significados.
- Elemento: código (o sistema linguístico usado).
- Exemplo real: um verbete de dicionário: “Metalinguagem: linguagem que se refere à própria linguagem.”
- Pistas: definições, gramáticas, glossários, comentários sobre palavras e expressões entre aspas para indicar que estão sendo analisadas.
6. Função poética (mensagem)
Chama a atenção para a forma da mensagem: os sons, o ritmo, a construção das frases e as imagens. Não é exclusiva da poesia, embora seja muito associada a ela.
- Elemento: mensagem (a própria forma do texto).
- Exemplo real: um poema, como os versos de Manuel Bandeira, em que a sonoridade e o ritmo fazem parte do sentido.
- Pistas: rimas, aliterações, metáforas, paralelismos, jogos de palavras e ritmo marcado.
Resumo rápido: texto, elemento e função
- Notícia: referencial (contexto).
- Diário: emotiva (remetente).
- Propaganda: conativa (destinatário).
- “Alô” ao telefone: fática (canal).
- Dicionário: metalinguística (código).
- Poema: poética (mensagem).
Como identificar a função predominante em uma questão
Em provas, a banca costuma dar um texto curto e perguntar qual é a função dominante. Siga estes passos:
- Leia a pergunta antes do texto. Às vezes ela já aponta o recorte, como “a função predominante no trecho”.
- Procure o elemento destacado. O texto fala do assunto? De quem escreve? De quem lê? Da própria língua? Da forma?
- Observe as marcas linguísticas. Primeira pessoa e exclamações apontam para a emotiva; imperativo e vocativo, para a conativa; definições, para a metalinguística.
- Verifique a intenção principal. Pergunte: o autor quer informar, expressar, convencer, manter contato, explicar a língua ou trabalhar a beleza da forma?
- Escolha a alternativa mais abrangente. Se duas funções aparecem, prefira a que sustenta o sentido geral do texto.
Exemplo de análise
Considere o trecho: “Você já pensou em trocar de celular? Corra até a loja e garanta o seu hoje mesmo!”
Há perguntas, imperativo (“Corra”, “garanta”) e segunda pessoa (“Você”). O objetivo é levar o leitor a comprar. A função predominante é a conativa. A informação sobre o celular aparece, mas serve à persuasão.
Mitos e verdades sobre as funções da linguagem
- Mito: cada texto tem apenas uma função.
Verdade: um texto pode ter várias funções, mas sempre há uma dominante. - Mito: a função poética só aparece em poemas.
Verdade: slogans, títulos de notícias e letras de música também podem explorar a forma para criar sentido. - Mito: se o texto tem “eu”, a função é sempre emotiva.
Verdade: o “eu” pode aparecer em um relato jornalístico ou em um texto de opinião sem que a emoção seja o foco. Analise o objetivo, não apenas a pessoa verbal. - Mito: a função fática é irrelevante.
Verdade: ela é essencial para manter a conversa. Sem ela, muitos diálogos simplesmente não começam.
Erros comuns em questões de função da linguagem
- Confundir a função emotiva com a conativa: “Eu adoro este produto, compre-o!” tem marcas das duas, mas a ordem final (“compre-o”) mostra que o foco é convencer.
- Associar a função metalinguística a qualquer uso de aspas. Aspas podem indicar citação, ironia ou destaque sem que a língua seja o assunto.
- Escolher a alternativa que apenas repete um termo do texto, sem verificar a intenção do autor.
- Ignorar o gênero textual. Saber que um texto é uma notícia, um anúncio ou um poema já aponta a função mais provável, mas confirme com as marcas do texto.
Boas práticas para estudar e aplicar o conteúdo
- Monte uma tabela com as seis funções, o elemento correspondente e três exemplos de marcas linguísticas.
- Analise textos de jornais, redes sociais e letras de música. Pergunte sempre qual elemento é destacado.
- Em redações, a função dominante do texto dissertativo-argumentativo costuma ser a referencial, mas trechos poéticos ou conativos podem aparecer em introduções e conclusões. Use-os com cuidado. Para orientações gerais sobre a prova, consulte a fonte oficial do exame do ano vigente.
- Revise seus próprios textos com atenção à clareza do objetivo. Um texto escolar bem escrito deixa claro o que pretende: informar, persuadir ou expressar uma opinião.
Para aprofundar a análise de textos e a coerência entre suas partes, veja também o artigo sobre coerência textual, com exemplos práticos de textos coerentes e incoerentes. Se você ainda está construindo a base de português, o material de atividades de português com ortografia, leitura e classes de palavras ajuda a fixar os conceitos básicos. E, se o seu objetivo é a prova dissertativa, vale conhecer os erros que zeram a redação do ENEM para não perder pontos com falhas evitáveis.
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