Vamos começar com um exemplo simples para ilustrar:
- Voz ativa: “O professor corrigiu as provas.”
- Voz passiva: “As provas foram corrigidas pelo professor.”
Na voz passiva, “pelo professor” é o agente da passiva. Note como ele completa o sentido do verbo “foram corrigidas”, indicando quem realizou a ação de corrigir.
Como identificar o agente da passiva
A identificação do agente da passiva segue uma lógica bastante clara. Primeiro, verifique se a frase está na voz passiva. As características principais são:
- O verbo está na voz passiva (geralmente com o auxiliar “ser” + particípio)
- O sujeito sofre a ação, não a pratica
- A ação é atribuída a outro elemento através de uma preposição
Uma vez confirmada a voz passiva, o agente será o termo que vem após a preposição “por” (ou “de”). Para dominar completamente essa análise, é útil também conhecer os tipos de sujeito que podem aparecer nas construções linguísticas.
O agente da passiva apresenta algumas características formais consistentes:
- Sempre vem introduzido por preposição (geralmente “por”, às vezes “de”)
- Pode ser um substantivo, pronome ou qualquer termo que possa praticar ação
- É complemento do verbo na voz passiva
- Não é obrigatório em todas as construções passivas
Voz passiva sintética vs. analítica
Antes de avançarmos, é importante diferenciar dois tipos de voz passiva:
Voz passiva analítica
É a forma mais comum e que estamos discutindo neste artigo. Caracteriza-se pelo uso do verbo auxiliar “ser” (ou “estar”, em alguns contextos) seguido do particípio do verbo principal. Exemplo: “O livro foi escrito pelo autor.”
Nesta construção, usa-se o pronome “se” antes do verbo na terceira pessoa. Exemplo: “Vendem-se casas.” Neste caso, não há agente da passiva explícito, pois a construção é impessoal.
Compreender essas diferenças é crucial para identificar corretamente quando estamos diante de um agente da passiva e quando não. A análise da transitividade verbal também ajuda muito nesse processo, já que apenas verbos transitivos diretos e transitivos diretos e indiretos podem formar voz passiva.
Quando usar o agente da passiva
Agora que você sabe identificar o agente da passiva, é importante entender quando usar essa construção gramatical:
1. Quando se quer enfatizar o paciente da ação
Às vezes, o que importa não é quem fez, mas o que foi feito. Por exemplo: “As obras do museu foram roubadas.” Neste caso, o foco está nas obras, não no ladrão.
2. Quando o agente é desconhecido ou irrelevante
“O documento foi assinado.” Não sabemos por quem, mas isso não é importante para o contexto.
Textos acadêmicos, científicos e jurídicos frequentemente usam a voz passiva para soar mais objetivos.
4. Quando se quer evitar responsabilização direta
Em contextos políticos ou corporativos: “Decidiu-se que os valores serão reajustados.”
Erros comuns ao usar o agente da passiva
Ao lidar com o agente da passiva, alguns erros são frequentes:
“O livro foi escrito com cuidado.” Aqui, “com cuidado” é adjunto adverbial de modo, não agente da passiva.
2. Usar preposição errada
A preposição correta é “por” na maioria dos casos, mas alguns verbos pedem “de”: “A cidade era amada de todos.”
3. Omitir o agente quando ele é necessário
Em alguns contextos, a omissão pode criar ambiguidade ou falta de clareza.
4. Repetição desnecessária
Usar voz passiva quando a ativa seria mais direta e concisa.
Mitos e verdades sobre o agente da passiva
Mitos:
- Mito 1: “Sempre deve ser evitado” – Na verdade, tem usos específicos e válidos
- Mito 2: “É sempre introduzido por ‘por'” – Alguns verbos aceitam outras preposições
- Mito 3: “Sempre torna o texto pior” – Depende do contexto e estilo
Verdades:
- Verdade 1: Só existe em construções de voz passiva
- Verdade 2: Pode ser omitido quando irrelevante ou desconhecido
- Verdade 3: Ajuda a variar a estrutura sintática do texto
- Verdade 4: É um recurso importante na escrita acadêmica e técnica
Exemplos práticos e análises detalhadas
Vamos analisar alguns exemplos para solidificar o entendimento:
“A casa foi construída pelos pedreiros em apenas três meses.”
– Agente da passiva: “pelos pedreiros”
– Preposição: “por”
– Função: complemento agente da passiva
Exemplo 2: Frase sem agente explícito
“As regras foram estabelecidas.”
– Não há agente da passiva explícito
– A construção é válida quando o agente não é relevante
“Ela era respeitada de todos os colegas.”
– Agente da passiva: “de todos os colegas”
– Preposição: “de” (aceitável com alguns verbos)
Boas práticas para usar o agente da passiva
- Use com moderação: Textos com excesso de voz passiva podem soar artificiais
- Prefira a voz ativa quando possível: Geralmente é mais direta e clara
- Verifique a transitividade do verbo: Apenas verbos transitivos podem formar voz passiva
- Considere o contexto: Use quando quiser enfatizar o paciente ou criar formalidade
- Revise a preposição: Certifique-se de que está usando a preposição correta
Para escrever com mais clareza e precisão, é fundamental dominar não apenas o agente da passiva, mas também outros elementos sintáticos como o complemento nominal e os diferentes tipos de orações.
Exercícios para praticar
A melhor maneira de dominar o agente da passiva é praticando:
Exercício 1: Identificação
Identifique o agente da passiva nas seguintes frases:
1. “O relatório será apresentado pela equipe técnica.”
2. “Os documentos foram assinados pelo diretor.”
3. “A decisão foi tomada pelo comitê executivo.”
Transforme as frases da voz ativa para a voz passiva, incluindo o agente:
1. “Os alunos escreveram as redações.”
2. “O governo anunciou as novas medidas.”
3. “A empresa desenvolveu o software.”
Exercício 3: Correção
Corrija as frases que apresentam erro no uso do agente da passiva:
1. “A reunião foi marcada para a equipe.”
2. “O projeto foi aprovado com o conselho.”
3. “As mudanças foram implementadas através do departamento.”
Quando omitir o agente da passiva
A omissão do agente da passiva é gramaticalmente correta em várias situações:
- Quando o agente é óbvio pelo contexto
- Quando não se sabe quem é o agente
- Quando o agente é irrelevante para o que se quer comunicar
- Quando se quer criar um efeito de generalização
- Quando se deseja evitar responsabilização direta
Por exemplo: “As leis foram criadas para proteger os cidadãos.” Não é necessário especificar quem criou as leis, pois isso é função do legislativo.
Diferenças sutis: agente da passiva vs. outras funções
Para não confundir o agente da passiva com outros elementos sintáticos:
Agente da passiva vs. Complemento agente do particípio
Alguns gramáticos fazem essa distinção quando o verbo está no particípio sem auxiliar: “Ele, cansado da viagem, foi dormir.” Aqui, “da viagem” complementa “cansado”, não é agente da passiva.
Agente da passiva vs. Adjunto adnominal
“A casa de pedra” – “de pedra” é adjunto adnominal, não agente.
Agente da passiva vs. Sujeito paciente
O sujeito paciente é quem sofre a ação na voz passiva, enquanto o agente é quem pratica.
Considerações finais sobre o uso adequado
Dominar o agente da passiva vai além da mera identificação gramatical. É uma habilidade que impacta diretamente a clareza, o estilo e a eficácia da sua comunicação escrita. Lembre-se:
- A voz passiva (e consequentemente o agente da passiva) é uma ferramenta, não um erro
- Como qualquer ferramenta, deve ser usada com propósito e moderação
- O contexto determina se é a melhor escolha sintática
- A prática constante leva ao domínio natural desse recurso gramatical
Para textos mais complexos, é útil também compreender a estrutura das orações subordinadas, que muitas vezes se relacionam com construções na voz passiva.
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